Matérias para um livro de formação católica
Aceitação
Aceitar uma pessoa "como ela é" não significa aceitar que seus erros continuem sendo cometidos. Aceitamos por amizade, mas devemos procurar ajudá-la a encontrar o caminho certo.
Sobre este raciocínio há um pensamento importante do Papa João Paulo II, que ele divulgou em forma de oração: "Senhor, aceite-me como eu sou; com meus defeitos, minhas limitações, mas faça com que eu fique como o Senhor deseja!".
Plano de Deus
Todos sabemos que Deus nos criou para sermos felizes, e felizes abundantemente. Está na Bíblia, mas a verdade é que nós sempre nos esquecemos disto. Se formos fazer um balanço, veremos que mais vezes nos voltamos contra Deus do que sabemos aceitar Sua vontade. Colocamos nosso plano acima do plano do Senhor. Por isso mesmo sofremos mais.
Uma das boas atitudes que os grupos de oração nos proporcionam é, justamente, a de nos colocarmos abertos à vontade de Deus, não só aceitando, mas também louvando-O por tudo o que nos acontece de bom... e de mau! À primeira vista, isto parece uma incoerência, mas se refletirmos bem veremos que o que nos acontece de desagradável é desagradável segundo nosso ponto de observação, porque não está conforme queremos.
Este caminho não é novo. A conformidade com a vontade de Deus sempre foi pregada pelos profetas e, mais que pregada, vivida. Jó, depois de sofrer tanto, de perder tudo, ao invés de se rebelar contra o Senhor disse, conformadamente: "Deus me deu tudo; Deus me tirou tudo; louvado seja Deus!" Essa aceitação, entretanto, nós a temos de conquistar com um exercício constante, principalmente nos momentos de grandes provações, mas igualmente naqueles em que tudo nos corre bem.
Alguns só se lembram de Deus para pedir e, não poucos, geralmente, condicionando previamente alguma doação ao atendimento do que desejam. Devemos ser como aquele leproso, o único de dez que voltou para agradecer a Jesus a cura que lhes dera. Deus quer que recorramos a Ele, mas deseja sentir, também, nosso agradecimento.
O dia em que todos souberem louvar a Deus, em todas as circunstâncias, não tenhamos dúvidas, o mundo será outro. Bem melhor!
(Ilara)
Reflexões
Muitas pessoas pensam que a leitura de uma passagem das Sagradas Escrituras não permite variadas formas de reflexões. Lida uma vez e examinada, fica como que esgotada. Há mesmo os que, num grupo, depois de diversas apreciações, se limitam a dizer que concordam com os pontos de vista emitidos, sem citar o seu próprio.
A propósito, ouvi, recentemente, uma comparação que esclarece bem como estão enganados os que veem tão pouco num trecho da Bíblia. A historinha é a seguinte. Imaginemos que uma só pessoa atravesse de ponta a ponta a Avenida Amaral Peixoto, com o propósito, mesmo; de anotar o que puder. Por mais observadora que seja, há de perceber muita coisa, mas, nem tudo, é claro! Outro que faça o mesmo percurso, sem saber nada do que seu antecessor viu, certamente anotará muito do que o anterior pôde encontrar, mas achará também coisas novas.
O passo seguinte do teste será mandar que cinquenta pessoas façam o mesmo percurso, findo o qual, todos juntos, vão conferir o que puderam registrar. E aí é que se verá quanta coisa existe na Avenida Amaral Peixoto que foi vista por uns e não tiveram qualquer referência de outros.
Pois é, exatamente, assim a leitura da Bíblia, numa comparação bem simples. Os textos sagrados estão aí em estudos por dois mil anos, já bem perto do terceiro milênio, fornecendo ensinamentos e reflexões que serviram a todos os cristãos que os vêm cultuando. Cada um, certamente, achou um caminho, deixando para outras interpretações variadas aqueles mesmo pontos analisados, mas também os muitos que não percebeu.
[Bastará que se junte com outros para uma apreciação conjunta, e se abrirá diante de todos uma variedade de observações e interpretações que, pesadas em seu conjunto, trarão ao grupo o melhor entendimento e o consequente aproveitamento maior.]
Necessário é que estejamos cada vez mais juntos da Bíblia, procurando conhecê-la, procurando entendê-la, complementando sempre com a ajuda de quem saiba mais do que nós, os pontos que nos deixem em dúvidas. Se nossa caminhada pela avenida bíblica nos mostrar pouco, vamos ver com outros, dentro de nossa igreja, tudo o que encontraram. E tratemos de aproveitar, de crescer!
A Igreja não é uma democracia
Vez por outra nos encontramos diante de problemas que já foram vividos por outros e que se repetem em nossos tempos. No campo da fé religiosa, então, as discussões parecem maiores, pois é inegável que hoje temos numerosas crenças e seitas e, consequentemente, pregadores em quantidade que assusta os menos inteirados de que Jesus fundou apenas uma Igreja - a nossa, católica e apostólica, porque universal e apoiada nos apóstolos. Natural que com tantos falsos pastores se estabeleçam controvérsias que já tumultuaram noutros tempos e precisam ser dirimidas.
Quero me ater ao caso da Igreja que Jesus fundou sobre Simão, que Ele chamou Pedro e... "sobre esta pedra edificarei minha Igreja". E o ponto é este: nenhuma outra fé religiosa aceita a católica como a continuadora da pregação de Cristo que, para tantos de crenças diversas, deveria ser até uma entidade dirigida, democraticamente...
Lembro-me de palestra de D. Marcos Barbosa em que o monge beneditino afirmava, analisando pronunciamento do Papa João Paulo II: O Vaticano proibiu os teólogos de desafiarem publicamente os ensinamentos da Igreja que, segundo destacou, não pode ser governada como uma democracia - e advertiu que a aberta dissidência não será tolerada. "Os teólogos devem defender não só os dogmas, mas as verdade referentes à fé e aos costumes, pois os papas também recebem inspiração divina quanto a estes pontos, e os inconformistas fariam melhor abandonando a instituição. Pois ninguém é obrigado a abraçar a fé".
Em outro trecho - tenho cópia da palestra comigo - D. Marcos Barbosa aconselha quanto à Igreja, que nem convém dizer ser uma "entidade máxima", porque é, na verdade, um mistério". Não é dos teólogos, reformadores sociais, dos diplomatas nem dos políticos, mas, segundo Georges Bermanos, a Igreja dos Santos.
"Sucumbir à tentação de divergir é permitir a ação do fermento da infidelidade ao Espírito Santo" - acentua o documento de João Paulo II. "Trata-se, sobretudo, de uma réplica, em termos enérgicos, aos teólogos ocidentais que vêm questionando a autoridade papal centralizada, os ensinamentos sobre a sexualidade e a proibição aos contraceptivos. Os padrões de conduta apropriados para a sociedade civil e o desenvolvimento de uma democracia não podem ser aplicados pura e simplesmente à Igreja. E menos, menos ainda, as relações dentro da Igreja podem ser inspiradas pelo mundo que a rodeia".
(Nota do Editor: Esses textos eram recortes de boletins impressos da igreja de Pendotiba/Niterói, sem data, e "O Mece" de novembro de 1987, sendo o segundo assinado com um pseudônimo, que era o nome da primeira filha do autor, a qual morreu ainda bebê, aos 6 meses. Entre chaves, um trecho que estava riscado a caneta, entre outras pequenas revisões que não postamos aqui, provavelmente porque ele republicou o texto, modificado, pois no alto havia também a indicação "Rosário" - janeiro de 1996 )
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