Espera
Não sou um homem zangado,
sou, até, dos mais contentes!
Tenho é o sorriso trancado
pela falta dos meus dentes!
Como sorrir, eu, coitado,
sem peças tão importantes?!
Um tipo assim, desdentado,
desagrada aos circunstantes!
Até mesmo pra falar
me domina o acanhamento,
não posso pronunciar
as palavras cem por cento!
O jeito é juntar cruzeiros
e quando os tiver na mão,
ser mais um dos companheiros
da terceira dentição!
Até lá, boca fechada,
só aberta quando preciso.
Com a reforma na fachada,
volto a mostrar meu sorriso!
(20 de abril de 1986)
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