TROVAS I
Nota do Editor: Postamos aqui esta série de trovas, que eram o estilo de poesia preferido do autor e estavam anotadas nessa sequência em seu caderno de anotações. Nem todas têm título. A data, quando anotada, estava abaixo de cada trova.
Você prometeu um dia:
Serei sua, meu amor!
Era amor de fantasia...
foi promessa sem valor!
(1969)
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Seu amor é tal e qual
um jogo de fantasias...
pra se usar num Carnaval
de, no máximo, três idas!
(1969)
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Espero poder um dia,
quando você concordar,
tirá-la da fantasia,
fazê-la, de fato, amar!
(1969)
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Eu te julguei joia fina,
pobre de mim, não sabia,
que não passavas, menina,
de grosseira fantasia!
(1969)
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Em meio a tantos valores
é imenso o esforço que faço
para vencer os temores,
ter algum desembaraço!
(1969)
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Não seja tão "avançada"
nos romances que tiver.
A ternura bem dosada
é um tesouro na mulher!
(1970)
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Ciúmes sempre senti
Das mulheres que eu amei,
É por isso que por ti
Eu nunca me preocupei!
(1971)
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Não sei - de Felicidade,
Que melhor definição,
Do que ter tranquilidade
De alma e de coração!
(1971)
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À Lua eu já não faço
A menor das confissões...
Há muita gente no espaço,
Fazendo investigação...
(1971)
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Não vejo flores em tudo
Nem faço guerra a ninguém.
Vivo a vida, não me iludo,
Fujo ao mal, procuro o bem
(Julho de 1971)
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O sol me queima por fora,
Mas não tem tanto calor
Como este calor que agora
Recebo do teu amor
(Julho de 1971)
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A mim o sol não faz falta
Como fonte de calor.
Eu tenho a fonte mais alta...
O corpo do meu amor!
(Agosto de 1971)
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Amizade como a sua
Para mim, não vale nada.
É como a chuva na rua,
que se perde na enxurrada!
(22 de novembro de 1971)
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Um beijo só que eu lhe dê,
Um beijo só, veja bem,
Vai fazer com que você
Me peça ao menos mais cem!
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De há muito que não dou submissão
A horários rijamente demarcados.
Meus encontros levam sempre a condição:
Os atrasos nem sequer são comentados!
(Julho de 1963)
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Tantas vezes tenho sido injustiçado,
Que a injustiça já me é familiar,
Muito embora, justamente, revoltado,
Eu com ela não me possa conformar!
(Julho de 1963)
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Que o ano novo que vem
Só nos traga o que de bem
No mundo possa existir.
Que o velho leve as desgraças,
Os perigos e ameaças.
Que seja lindo o porvir!
(31 de dezembro de 1962)
Pelo Telex, aos colegas d'O Estadão em São Paulo
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Não tente influir na vida
Que outros irão viver,
Se os outros, minha querida,
Não pedem seu parecer!
(Julho de 1963)
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É modesta a nossa oferta,
Mas tem um grande valor:
É feita, pode estar certa,
Com muito de nosso amor!
(Para Ana Teresa, filha de Olney. Niterói, Julho de 1963)
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Pensei já saber bastante
Desses problemas de amor...
Qual nada! Sou um estudante
Que passa, mas, sem louvor!
(Julho de 1963)
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Escolha as misses mais belas,
Junte-as todas num buquê.
Rejeitarei todas elas
Por um beijo de você!
(16 de Junho de 1963)
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Dos sonhos que Deus me deu,
Um só tu não destruíste,
Aquele em que tu e eu
Nos separamos... eu triste!
(Junho de 1963)
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O passo da Moeminha
É o passo do lento à beça!
Caminhar, ela caminha,
Mas sem um pingo de pressa
(Junho de 1963)
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Começo, hoje, Senhor,
A tê-lo em meu coração,
Eternize, por favor,
Esta nossa comunhão!
(Primeira Comunhão da Moeminha - 08/12/1966)
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Eu vejo em cada criança
O que não veem os ateus:
Uma bênção, uma esperança,
Um pedacinho de Deus!
(Julho de 1963)
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Não acredito que um dia
Você venha a me querer...
Mas, enfim, é uma alegria
Sonhar que assim venha a ser!
(Junho de 1963)
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Certa noite tive um sonho
Tão bonito, que chorei.
No outro dia, manhãzinha,
Quanto então eu me acordei!
(Agosto de 1963)
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Daqui por diante, Senhor,
Não mais se afaste de mim.
Conservai-me, em Seu amor,
Quero ficar sempre assim!
(Primeira Comunhão da Inesinha - 21/06/1962)
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Os mortos, por mais queridos,
Têm um final contundente,
Em pouco são esquecidos
E quase que, inteiramente!
(1966)
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Que pena, meu Deus, que pena!
Uma vida tão pequena,
Pra quem sabe sonhar tanto!
Principalmente, Senhor,
Pra quem, em casos de amor,
Não é lá assim tão santo!
E quase que, inteiramente!
(1966)
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Eu nunca tive, meu bem,
Vocação para ser doutor,
De medicina, direito,
De engenharia ou o que for!
Eu só sou doutor, meu bem,
Entendo bem é de amor!
(1966)
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Não são palavras bonitas
Que embelezam uma oração,
Mas, aquelas que são ditas
Saídas do coração!
(1966)
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Não me impressiona a beleza
Que se vê, externamente,
Bem mais bela, com certeza,
É a que está dentro da gente!
(1966)
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Vim ver Niterói, gostei.
Fui ficando, fui ficando...
Em Niterói me casei
E meus filhos vou criando!
(1966)
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Para dar à humanidade
Um pouco do paraíso,
Deus criou esta cidade,
Nossa Cidade Sorriso!
(1966)
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Mas quem tem pouco cabelo
E esse pouco não penteia,
Revela seu desmazelo,
Que é uma coisa muito feia!
(27/05/1966)
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Nem querendo eu poderia
Descrer de Deus, meu Senhor.
Quem se não ele seria
Capaz de criar o amor?
Vendo a descrença de tantos
Lembro meus pais com amor.
Aprendi com aqueles santos
A adoração ao Senhor!
Deus é um grande amigo meu
A quem vivo a agradecer
Tudo quanto já me deu,
Do muito que ainda hei de ter!
(Julho/1966)
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Se o tipo é, sempre, irritado,
E age, sempre, com arrogância,
Esteja certo, o coitado
Não teve uma boa infância
(1966)
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Não fique tão agitada
Só por um beijo que eu dei!
Beijo, moça, não é nada,
Diante do muito que sei!
(Abril/1966)
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Não, não perca a paciência,
Nem o seu senso de humor,
Mas... não vá com inocência
Se o seu problema é de amor!
(1966)
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Em quase tudo na vida
Você cresceu, realmente.
Mas, no amor, minha querida,
Está na infância, é inocente!
(1966)
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Quem na infância tem carinho,
Amor e dedicação,
Trilha sempre o bom caminho,
Em qualquer situação!
(1966)
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Ah! Minha infância saudosa!
Minha doce meninice!
És a luz mais radiosa
Que tenho em minha velhice!
(1966)
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Falando, você consente,
Mas, os seus olhos, querida,
Me dizem, bem claramente,
Que é hora da despedida!
(1966)
