quinta-feira, 22 de abril de 2021

 TROVAS I


Nota do Editor: Postamos aqui esta série de trovas, que eram o estilo de poesia preferido do autor e estavam anotadas nessa sequência em seu caderno de anotações. Nem todas têm título. A data, quando anotada, estava abaixo de cada trova.



Você prometeu um dia:
Serei sua, meu amor!
Era amor de fantasia...
foi promessa sem valor!

                                  (1969)

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Seu amor é tal e qual
um jogo de fantasias...
pra se usar num Carnaval
de, no máximo, três idas!

                                  (1969)
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Espero poder um dia,
quando você concordar,
tirá-la da fantasia,
fazê-la, de fato, amar!

                                  (1969)

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Eu te julguei joia fina,
pobre de mim, não sabia,
que não passavas, menina,
de grosseira fantasia!

                                  (1969)

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Em meio a tantos valores
é imenso o esforço que faço
para vencer os temores,
ter algum desembaraço!

                                  (1969)

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Não seja tão "avançada"
nos romances que tiver.
A ternura bem dosada
é um tesouro na mulher!

                                  (1970)

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Ciúmes sempre senti
Das mulheres que eu amei,
É por isso que por ti
Eu nunca me preocupei!

                                  (1971)

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Não sei - de Felicidade,
Que melhor definição,
Do que ter tranquilidade
De alma e de coração!

                                  (1971)

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À Lua eu já não faço
A menor das confissões...
Há muita gente no espaço,
Fazendo investigação...

                                  (1971)

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Não vejo flores em tudo
Nem faço guerra a ninguém.
Vivo a vida, não me iludo,
Fujo ao mal, procuro o bem

                                  (Julho de 1971)

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O sol me queima por fora,
Mas não tem tanto calor
Como este calor que agora
Recebo do teu amor

                                  (Julho de 1971)

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A mim o sol não faz falta
Como fonte de calor.
Eu tenho a fonte mais alta...
O corpo do meu amor!

                                  (Agosto de 1971)

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Amizade como a sua
Para mim, não vale nada.
É como a chuva na rua,
que se perde na enxurrada!

                                  (22 de novembro de 1971)

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Um beijo só que eu lhe dê,
Um beijo só, veja bem,
Vai fazer com que você
Me peça ao menos mais cem!


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De há muito que não dou submissão
A horários rijamente demarcados.
Meus encontros levam sempre a condição:
Os atrasos nem sequer são comentados!

                                  (Julho de 1963)

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Tantas vezes tenho sido injustiçado,
Que a injustiça já me é familiar,
Muito embora, justamente, revoltado,
Eu com ela não me possa conformar!

                                  (Julho de 1963)

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Que o ano novo que vem
Só nos traga o que de bem
No mundo possa existir.
Que o velho leve as desgraças,
Os perigos e ameaças.
Que seja lindo o porvir!

                                  (31 de dezembro de 1962)

Pelo Telex, aos colegas d'O Estadão em São Paulo

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Não tente influir na vida
Que outros irão viver,
Se os outros, minha querida,
Não pedem seu parecer!

                                  (Julho de 1963)    

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É modesta a nossa oferta,
Mas tem um grande valor:
É feita, pode estar certa,
Com muito de nosso amor!

        (Para Ana Teresa, filha de Olney. Niterói, Julho de 1963)

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Pensei já saber bastante
Desses problemas de amor...
Qual nada! Sou um estudante
Que passa, mas, sem louvor!

                                  (Julho de 1963)

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Escolha as misses mais belas,
Junte-as todas num buquê.
Rejeitarei todas elas
Por um beijo de você!

                                  (16 de Junho de 1963)

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Dos sonhos que Deus me deu,
Um só tu não destruíste,
Aquele em que tu e eu
Nos separamos... eu triste!

                                  (Junho de 1963)

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O passo da Moeminha
É o passo do lento à beça!
Caminhar, ela caminha,
Mas sem um pingo de pressa

                                  (Junho de 1963)

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Começo, hoje, Senhor,
A tê-lo em meu coração,
Eternize, por favor,
Esta nossa comunhão!

             (Primeira Comunhão da Moeminha - 08/12/1966)

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Eu vejo em cada criança
O que não veem os ateus:
Uma bênção, uma esperança,
Um pedacinho de Deus!

                                  (Julho de 1963)

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Não acredito que um dia
Você venha a me querer...
Mas, enfim, é uma alegria
Sonhar que assim venha a ser!

                                  (Junho de 1963)

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Certa noite tive um sonho
Tão bonito, que chorei.
No outro dia, manhãzinha,
Quanto então eu me acordei!

                                  (Agosto de 1963)

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Daqui por diante, Senhor,
Não mais se afaste de mim.
Conservai-me, em Seu amor,
Quero ficar sempre assim!

                                  (Primeira Comunhão da Inesinha - 21/06/1962)

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Os mortos, por mais queridos,
Têm um final contundente,
Em pouco são esquecidos
E quase que, inteiramente!

                                  (1966)

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Que pena, meu Deus, que pena!
Uma vida tão pequena,
Pra quem sabe sonhar tanto!
Principalmente, Senhor,
Pra quem, em casos de amor,
Não é lá assim tão santo!
E quase que, inteiramente!

                                  (1966)

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Eu nunca tive, meu bem,
Vocação para ser doutor,
De medicina, direito,
De engenharia ou o que for!
Eu só sou doutor, meu bem,
Entendo bem é de amor!

                                  (1966)

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Não são palavras bonitas
Que embelezam uma oração,
Mas, aquelas que são ditas
Saídas do coração!

                                  (1966)

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Não me impressiona a beleza
Que se vê, externamente,
Bem mais bela, com certeza,
É a que está dentro da gente!

                                  (1966)

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Vim ver Niterói, gostei.
Fui ficando, fui ficando...
Em Niterói me casei
E meus filhos vou criando!

                                  (1966)

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Para dar à humanidade
Um pouco do paraíso,
Deus criou esta cidade,
Nossa Cidade Sorriso!

                                  (1966)

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Mas quem tem pouco cabelo
E esse pouco não penteia,
Revela seu desmazelo,
Que é uma coisa muito feia!

                                  (27/05/1966)

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Nem querendo eu poderia
Descrer de Deus, meu Senhor.
Quem se não ele seria
Capaz de criar o amor?

Vendo a descrença de tantos
Lembro meus pais com amor.
Aprendi com aqueles santos
A adoração ao Senhor!

Deus é um grande amigo meu
A quem vivo a agradecer
Tudo quanto já me deu,
Do muito que ainda hei de ter!

                                  (Julho/1966)

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Se o tipo é, sempre, irritado,
E age, sempre, com arrogância,
Esteja certo, o coitado
Não teve uma boa infância

                                  (1966)

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Não fique tão agitada
Só por um beijo que eu dei!
Beijo, moça, não é nada,
Diante do muito que sei!

                                  (Abril/1966)

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Não, não perca a paciência,
Nem o seu senso de humor,
Mas... não vá com inocência
Se o seu problema é de amor!

                                  (1966)

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Em quase tudo na vida
Você cresceu, realmente.
Mas, no amor, minha querida,
Está na infância, é inocente!

                                  (1966)

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Quem na infância tem carinho,
Amor e dedicação,
Trilha sempre o bom caminho,
Em qualquer situação!

                                  (1966)

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Ah! Minha infância saudosa!
Minha doce meninice!
És a luz mais radiosa
Que tenho em minha velhice!

                                  (1966)

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Falando, você consente,
Mas, os seus olhos, querida,
Me dizem, bem claramente,
Que é hora da despedida!

                                  (1966)

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Você diz que sempre chora
Nas horas de despedida...
Pois, então, não vá embora!
Vivamos, juntos, a vida!

                                  (1966)

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Você diz que só dá beijos
Em horas de despedida...
Pois, por você, meu encanto,
Estou sempre de partida!

                                  (1966)

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Seus olhos tristes, molhados...
Minha boca contraída...
Acenos quase parados...
Foi a nossa despedida!...

                                  (1966)

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Vamos agir com franqueza!
Como pessoas decentes!
Por que um adeus, com tristeza,
Se estamos, os dois, contentes?!

                                  (1966)

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Eu nunca deixo guardado
O que tenho pra dizer!
Com isto sofro um bocado!...
Mas que é que eu hei de fazer?

                                  (1966)

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Se tu és má companhia
Às favas com o tal ditado
Não fico só, um só dia,
Melhor mal acompanhado!

                                  (1963)

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Contei ao mar meu segredo,
Que ele prometeu guardar...
Como então pode o rochedo
Saber que eu vivo a penar?

                                  (11/12/1963)

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Bons tempos, aqueles tempos
Das eras já bem vividas
Em que as mulheres guardavam
As perninhas escondidas!

                                  (1963)

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O beijo que ela me deu
Não ficou nos lábios não.
Docemente, ele desceu
E ganhou meu coração!

                                  (1964)

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Com nosso abraço sincero
e sinceros "boas-vindas",
Nós todos lhe desejamos
Uma das vidas mais lindas!

   (Para acompanhar um presentinho à Paula, filha do Santa Maria - 08/09/1964)

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Se, em verdade, amor é... terno,
Acho muito natural
Que se peça ao alfaiate
Um amor de Tropical!

                                (Maio/1965)                    

                 

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