Contraste
O céu, enegrecido, ameaçava
Despejar sobre a terra, o seu furor!
O trovão era a voz que reboava,
Proclamando um poder destruidor
Desde a planta menor, mais delicada,
Às mais gigantescas árvores das matas,
Respeitam, piamente, a voz irada
Do choque dentre as nuvens já compactas.
Algumas sabem que vão sossobrar,
Que a tempestade as vai aniquilar,
Sem ter contemplação, sem ter piedade!
No entanto, estão todas alvoroçadas,
Agitam-se contentes, conformadas,
E morrem, sempre, na conformidade...
Ah! Fôssemos, os homens, como as plantas,
Que não reclamam contra a sua sorte!
As nossas vidas, dentro todas, quantas
Serão vividas, sem temor à morte?
(Rio, 15/03/1951)
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