sexta-feira, 26 de maio de 2023

Contraste


O céu, enegrecido, ameaçava

Despejar sobre a terra, o seu furor!

O trovão era a voz que reboava,

Proclamando um poder destruidor


Desde a planta menor, mais delicada,

Às mais gigantescas árvores das matas,

Respeitam, piamente, a voz irada

Do choque dentre as nuvens já compactas.


Algumas sabem que vão sossobrar,

Que a tempestade as vai aniquilar,

Sem ter contemplação, sem ter piedade!

No entanto, estão todas alvoroçadas,

Agitam-se contentes, conformadas,

E morrem, sempre, na conformidade...


Ah! Fôssemos, os homens, como as plantas,

Que não reclamam contra a sua sorte!

As nossas vidas, dentro todas, quantas

Serão vividas, sem temor à morte?

                       

(Rio, 15/03/1951)


786 - 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

APRESENTAÇÃO DO BLOG

Família de Guimarães Nato, nome profissional do jornalista e escritor Renato Guimarães (1924 - 2000), inicia agora o blog com as poesias, prosas e demais textos literários e diversos outros que ele deixou. (15/02/2018)

A família de Guimarães Nato, nome profissional do jornalista e escritor Renato Guimarães (1924 - 2000), inicia agora o blog com as poesias,...