segunda-feira, 5 de junho de 2023

TROVAS II


Nota do Editor: Postamos aqui mais esta série de trovas, que eram o estilo de poesia preferido do autor e estavam anotadas nessa sequência em seu caderno de anotações. Elas estão sem título. A data, quando anotada, estava abaixo de cada trova.


É bom que, de vez em quando,

Seja preciso chorar!

Muitas vezes, só chorando,

Podemos nos conformar!

                                            (1972)


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Esperar não custa tanto,

Se temos boa vontade.

Com desespero, com pranto,

A espera é uma eternidade!

                                      (1972)


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Meninos, a Independência

É bem que exige cuidados!

Serve ao valor, à decência,

Jamais serve aos desfibrados!

                                     (1972)


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Casar com moça bonita

É passada perigosa

Pra quem não quer ter a dita

De uma prole numerosa

                                     (1961)


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Passatempo proveitoso

É passar o tempo a ler!

O tempo passa com lucros,

Pois nos faz sempre aprender!

                                          (1972)


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Não vejo como negar

O quanto lhe quero bem.

Mesmo sem ter que falar

O que sinto, todos vêem!

                                     (1972)


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Não, a beleza não conta

Na escolha de um casamento,

Que vale ser bela e tonta?

Ter um mau comportamento?

                                     (1972)


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Vou andando, vou pensando

O que é que eu devo fazer,

Para conseguir que você

Venha um dia a me querer!


Vou querendo, vou sofrendo,

Vou buscando a solução,

A maneira de prendê-la

Bem presa a meu coração!

                                     (1972)


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A garota é mesmo linda!

Eu não tinha visto ainda

Beleza tão explosiva!

Eu prefiro os seus carinhos

Aos treze pontos certinhos,

Da Loteria Esportiva

                                     (1972)


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Embora tão diferente,

Nenhuma outra expressão

Serve melhor do que "Mãe",

Pra rimar com coração!

                                     (14/05/1961)


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Você, querida, é tão bela!

Tenho-lhe tal amizade!

Com você, logo se escoa

Toda uma eternidade!

                                     (1972)


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Confundir Independência

Com liberdade excessiva,

É demonstrar irreverência,

Que pede ação punitiva!

                                     (1972)


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De que vale a independência

A um povo torpe e incapaz

De viver na consequência

Do grande bem que ela traz?

                                     (Revendo - 1972)


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Essa noite foi vazia...

Sem teu amor não valeu!

Tua ausência, eu não sabia

Que doía o que doeu!

                                     (1972)


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A vida já é curta.

E é tão gostoso viver...

Deixe essa ideia farjuta

De só pensar em morrer!

                                     (1972)


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Minha vida sem Jesus

É uma cruz bem mais pesada!

Pois Jesus é a doce luz,

Que clareia minha estrada!

                                     (1972)


Nota do Editor: Outra versão encontrada nas anotações do autor, no mesmo ano, e ampliada:


Nossa vida sem Jesus

É uma cruz bem mais pesada!

Pois Jesus é a boa luz,

Que clareia nossa estrada!


Viagem grande ou pequena,

Não sabemos aonde vai,

Mas será bem mais amena

Se estamos junto do Pai

                                 (Ampliação da trova anterior com que comecei em Santos)


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O meu sono vem da fome,

Do cansaço, do sofrer,

Sou um de tantos sem nome

Que apenas sonham viver!

                                     (1972)


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Estou cheio de moral

Pra dizer, quero ou não quero.

Foi você a desleal,

Eu me mantive sincero!

                                     (1972)


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Qual das três, tu me perguntas,

Desejaria pra mim.

Sinceramente, as três juntas,

Nunca vi lindas assim!

                                     (1972)


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Eu vou num ritmo certo,

Nem lento, nem apressado.

De coração bem aberto,

Sempre bem intencionado!

                                       (1972)


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Você disse que queria,

Eu concordei, como vê,

No entanto, do que eu dizia

Você não lembra, por quê?

                                     (1972)


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Não sei de alguém, francamente,

Que sendo bom trovador,

Não viva a vida contente,

Quer na alegria ou na dor.

                                     (1972)


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As florezinhas mimosas

que ornamentam sua mesa,

ficam bem menos vaidosas

Diante de sua beleza!

                                     (1972)


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De uma ajuda de momento

Firmou-se nossa amizade,

Amizade cem por centro

De pureza e lealdade!

                                     (1972)


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Ainda não fez um dia

De nossa separação

E já penso, com alegria,

Na reconciliação

                                     (1972)


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Uma reflexão sadia

Que se faça todo dia,

Logo cedo, ao despertar,

Pode ajudar e ajuda,

Pode mudar, como muda,

O que é preciso mudar!

                                     (1972)


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Eu gosto muito desta música da China

Para o balé da encantadora bailarina,

Pena que o tempo seja tão curtinho,

E num instantinho,

Nosso "show" termina!

                                     (13/03/1997)


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Dai-nos, Senhor, uma ponte

De compreensões e ternuras,

Abrindo um só horizonte

A todas as criaturas!

                                    

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Eu não temo os maus momentos

Dos abismos desta vida,

Tenho em ti, ponte de alentos,

Travessia garantida.


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O trovador não se aperta.

Seja lá qual for o abismo,

Passa pela ponte certa.

Que constrói com seu lirismo!


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Seu sorriso de pureza

Foi a ponte que encontrei

Para chegar à beleza

Do imenso amor que lhe dei!


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O beijo é a ponte ideal

Entre o desejo e o amor,

A passagem natural

Sobre o valor do pudor!


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Pra mim, a ponte importante

Não fica sobre a baía...

Mas aquela que garante

O sorriso da Maria


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Não sinto medo da vida,

Tendo você a meu lado.

É sua ausência, querida,

Que me deixa apavorado!


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Até hoje, francamente -

E sou assim desde cedo -

O meu medo é tão somente

O de vir a sentir medo!


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Meu grande medo, confesso,

Meu fantasma, meu temor,

O que me fará possesso

Será perder seu amor!


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Deus queira que eu possa ter

Pela minha vida afora

A alegria de viver

Feliz como sou agora!


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Você não diz que não gosta

Mas, pela expressão do rosto,

Eu faço qualquer aposta

Como não sou do seu gosto!


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Você foi essa marquise

De afeto e dedicação,

Que ofereceu bom abrigo

Ao meu pobre coração,

Que já estava molhadinho,

Em precárias condições,

Perdido no torvelhinho

De um temporal de paixões


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É bonita, quase linda,
Em tudo é de alta linha.
Tento muito, mas ainda
Continua "quase" minha!
                
                                  (1972)


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Pelo olhar eu vi que havia
No seu querer um temor.
É que você não sabia
Se era querer para o amor!
                
                                  (1971)


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Eu já fui muito sensível
Ao que diziam de mim.
Foi, de fato, um tempo horrível,
Mas, já não sou mais assim!

                                     (1972)

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Eu venho de um ontem triste
Para um hoje de esplendor,
Hoje em que você existe,
Eu que tenho seu amor!

                                      (1972)


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Tiradentes tem na história
Um lugar definitivo.
Através de sua glória
Continua sempre vivo!

                                     (1972)


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Eu não vou em passo lento,
Nem vou no passo apressado,
Vou caminhando a contento
Pra não chegar atrasado!

                                    (1970)


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Sofro a maldade e a irreverência,
Que a gente tem sem pedir.
Busco a criança, a inocência,
Volto de novo a sorrir!

                                    (1971)


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Quem já passou dos quarenta,
Faz muito bem quanto atenta
Um pouco mais pra saúde.
Por certo, com esse cuidado,
Estará sempre afastado
Um pouco mais, do ataúde!

                                    (Setembro/1968)


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Já me cansei daqui destas paisagens;
Elas já não me inspiram mais poesias;
É hora de buscar outras paragens
E variar as minhas alegrias!

                                    (23/05/1997)


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Você não disse ao que vinha,
Eu também não perguntei,
Fiquei trancado na minha...
E foi aí que acertei!

                                    (1971)


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Minha TV


Desde o nosso casamento
que não vejo mais TV!
Agora, a todo momento
eu só quero ver você!

Meus programas preferidos?
Você sabe, minha flor!
Preto e branco ou coloridos,
só os que mostram nosso amor!

                                    (Março/1995)

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Poesia

Hoje é dia da poesia... 
É, muitos dizem que sim,
mas eu discordo de um dia!
Um dia é pouco pra mim,
pois a poesia, eu diria,
pertence a um tempo sem fim!


                                    (Março/1995)

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