TROVAS II
Nota do Editor: Postamos aqui mais esta série de trovas, que eram o estilo de poesia preferido do autor e estavam anotadas nessa sequência em seu caderno de anotações. Elas estão sem título. A data, quando anotada, estava abaixo de cada trova.
É bom que, de vez em quando,
Seja preciso chorar!
Muitas vezes, só chorando,
Podemos nos conformar!
(1972)
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Esperar não custa tanto,
Se temos boa vontade.
Com desespero, com pranto,
A espera é uma eternidade!
(1972)
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Meninos, a Independência
É bem que exige cuidados!
Serve ao valor, à decência,
Jamais serve aos desfibrados!
(1972)
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Casar com moça bonita
É passada perigosa
Pra quem não quer ter a dita
De uma prole numerosa
(1961)
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Passatempo proveitoso
É passar o tempo a ler!
O tempo passa com lucros,
Pois nos faz sempre aprender!
(1972)
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Não vejo como negar
O quanto lhe quero bem.
Mesmo sem ter que falar
O que sinto, todos vêem!
(1972)
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Não, a beleza não conta
Na escolha de um casamento,
Que vale ser bela e tonta?
Ter um mau comportamento?
(1972)
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Vou andando, vou pensando
O que é que eu devo fazer,
Para conseguir que você
Venha um dia a me querer!
Vou querendo, vou sofrendo,
Vou buscando a solução,
A maneira de prendê-la
Bem presa a meu coração!
(1972)
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A garota é mesmo linda!
Eu não tinha visto ainda
Beleza tão explosiva!
Eu prefiro os seus carinhos
Aos treze pontos certinhos,
Da Loteria Esportiva
(1972)
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Embora tão diferente,
Nenhuma outra expressão
Serve melhor do que "Mãe",
Pra rimar com coração!
(14/05/1961)
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Você, querida, é tão bela!
Tenho-lhe tal amizade!
Com você, logo se escoa
Toda uma eternidade!
(1972)
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Confundir Independência
Com liberdade excessiva,
É demonstrar irreverência,
Que pede ação punitiva!
(1972)
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De que vale a independência
A um povo torpe e incapaz
De viver na consequência
Do grande bem que ela traz?
(Revendo - 1972)
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Essa noite foi vazia...
Sem teu amor não valeu!
Tua ausência, eu não sabia
Que doía o que doeu!
(1972)
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A vida já é curta.
E é tão gostoso viver...
Deixe essa ideia farjuta
De só pensar em morrer!
(1972)
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Minha vida sem Jesus
É uma cruz bem mais pesada!
Pois Jesus é a doce luz,
Que clareia minha estrada!
(1972)
Nota do Editor: Outra versão encontrada nas anotações do autor, no mesmo ano, e ampliada:
Nossa vida sem Jesus
É uma cruz bem mais pesada!
Pois Jesus é a boa luz,
Que clareia nossa estrada!
Viagem grande ou pequena,
Não sabemos aonde vai,
Mas será bem mais amena
Se estamos junto do Pai
(Ampliação da trova anterior com que comecei em Santos)
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O meu sono vem da fome,
Do cansaço, do sofrer,
Sou um de tantos sem nome
Que apenas sonham viver!
(1972)
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Estou cheio de moral
Pra dizer, quero ou não quero.
Foi você a desleal,
Eu me mantive sincero!
(1972)
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Qual das três, tu me perguntas,
Desejaria pra mim.
Sinceramente, as três juntas,
Nunca vi lindas assim!
(1972)
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Eu vou num ritmo certo,
Nem lento, nem apressado.
De coração bem aberto,
Sempre bem intencionado!
(1972)
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Você disse que queria,
Eu concordei, como vê,
No entanto, do que eu dizia
Você não lembra, por quê?
(1972)
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Não sei de alguém, francamente,
Que sendo bom trovador,
Não viva a vida contente,
Quer na alegria ou na dor.
(1972)
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As florezinhas mimosas
que ornamentam sua mesa,
ficam bem menos vaidosas
Diante de sua beleza!
(1972)
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De uma ajuda de momento
Firmou-se nossa amizade,
Amizade cem por centro
De pureza e lealdade!
(1972)
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Ainda não fez um dia
De nossa separação
E já penso, com alegria,
Na reconciliação
(1972)
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Uma reflexão sadia
Que se faça todo dia,
Logo cedo, ao despertar,
Pode ajudar e ajuda,
Pode mudar, como muda,
O que é preciso mudar!
(1972)
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Eu gosto muito desta música da China
Para o balé da encantadora bailarina,
Pena que o tempo seja tão curtinho,
E num instantinho,
Nosso "show" termina!
(13/03/1997)
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Dai-nos, Senhor, uma ponte
De compreensões e ternuras,
Abrindo um só horizonte
A todas as criaturas!
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Eu não temo os maus momentos
Dos abismos desta vida,
Tenho em ti, ponte de alentos,
Travessia garantida.
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O trovador não se aperta.
Seja lá qual for o abismo,
Passa pela ponte certa.
Que constrói com seu lirismo!
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Seu sorriso de pureza
Foi a ponte que encontrei
Para chegar à beleza
Do imenso amor que lhe dei!
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O beijo é a ponte ideal
Entre o desejo e o amor,
A passagem natural
Sobre o valor do pudor!
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Pra mim, a ponte importante
Não fica sobre a baía...
Mas aquela que garante
O sorriso da Maria
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Não sinto medo da vida,
Tendo você a meu lado.
É sua ausência, querida,
Que me deixa apavorado!
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Até hoje, francamente -
E sou assim desde cedo -
O meu medo é tão somente
O de vir a sentir medo!
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Meu grande medo, confesso,
Meu fantasma, meu temor,
O que me fará possesso
Será perder seu amor!
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Deus queira que eu possa ter
Pela minha vida afora
A alegria de viver
Feliz como sou agora!
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Você não diz que não gosta
Mas, pela expressão do rosto,
Eu faço qualquer aposta
Como não sou do seu gosto!
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Você foi essa marquise
De afeto e dedicação,
Que ofereceu bom abrigo
Ao meu pobre coração,
Que já estava molhadinho,
Em precárias condições,
Perdido no torvelhinho
De um temporal de paixões
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