O milagre da rosa
Vi uma rosa rubra, deslumbrante,
Como a rainha de um jardim pequeno,
A balançar-se alegre, provocante,
Parecendo chamar-me em leve aceno!
Abeirei-me das grades com cuidado,
E sem desprender os olhos da flor,
Pude experimentar, extasiado,
Profundamente, o seu divino odor!
E com ciúmes de que alguém viesse,
Tal como eu, gozar desse prazer,
Em meu cérebro, súbito, aparece
O plano de a bela rosa colher!
Tendo essa ideia fixa na mente,
De querer só para mim, pra mim, somente,
Aquela joia-flor maravilhosa,
De um salto, rápido, galguei as grades;
Desrespeitando o convento dos frades,
Corri para a roseira, para a rosa!...
Mas, quando eu a toquei com a minha mão,
Tive o castigo da violação
Que, criminosamente, perpetrara:
Aquela rosa que eu tanto queria,
Por um milagre que eu bem compreendia,
Em rosa de papel se transformara!
(Rio, 04/1948)
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