O sítio do vovô
Lá no sítio do vovô,
Defronte à casa, há um jardim.
É tão lindo quanto grande!
Eu nunca vi um assim!
Quem cuida dele é o Seu Chico,
Um velhinho bem disposto!
Trata as flores, como filhas,
É um artista! Que bom gosto!
O quintal é um bosque enorme!
Tanto que pra visitá-lo,
Pra se ir de ponta a ponta,
Só há um jeito: a cavalo.
A terra de lá é boa!
Mas é boa de verdade!
Dá tudo, tudo! Dá frutas
De uma enorme variedade!
Todo ano, em minhas férias,
Vou pro sítio descansar,
E quado volto, é maior
A vontade de estudar!
Vovô e todos de lá,
Se alegram com a minha ida,
Por isso, sempre choramos
Na hora da despedida...
Eu gosto, também, de todos,
Do vovô, principalmente,
E, estando pertinho dele,
Eu pulo, até, de contente!
Mas, com um sítio tão bonito,
De empregados rodeado,
O vovô, no fundo, é triste,
É bastante desolado...
É que o vovô já não conta
Com a presença da vovó
Vovó Jaça foi pro céu,
Vovô Zeca ficou só!...
Ela morreu pouco antes
Do dia em que eu nasci;
Minha boa vovozinha...
Que pena!... Não conheci!...
Por isso, quando eu vou lá,
Ponho em sua sepultura,
Muitas flores, muito pranto,
Numa sentida mistura!
Depois vou com vovô Zeca,
À pequenina capela,
Pedir a Nossa Senhora
Que olhe, sempre, por ela...
(Rio, 1948)
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