Quem tudo quer...
O Juquinha, no bilhete
Que fez ao Papai Noel,
Pediu tanta coisa junta,
Que encheu todo o papel!
Pediu uma bicicleta,
Dois terninhos, uma bola,
Uma pasta com cadernos,
Pra quando voltasse à escola!
Um lindo par de sapatos,
Um bom relógio pulseira,
Uma gaitinha de boca,
Cromônica, de primeira!
Um rádio para o seu quarto,
Uma caneta tinteiro,
E, também, uma carteira,
Recheada de dinheiro!
Ao contrário do Juquinha,
Sua irmã, em uma prece,
Falou com Papai Noel,
Que aceitava o que ele desse!...
O Juquinha pediu muito,
Nem se lembrou de rezar!
A Glorinha nem escreve,
Rezou e foi se deitar!
A noite passou depressa,
E, assim que veio a manhã,
Correram para o fogão,
O Juquinha e sua irmã!
O menino foi na frente,
Porque, na sua aflição,
Nem fez o sinal da cruz,
Quanto mais, uma oração!...
A Glorinha, terminando,
Sua oração ao Senhor;
Diz: "agradeço o presente,
Seja lá o que ele for!"
No colo da sua mãe,
Soluçando tristemente,
O Juquinha resmungava:
"Não ganhei nem um presente!"
Então, o pai do menino,
Valeu-se da ocasião,
Para ensinar ao seu filho,
A saber ter ambição!
A Glorinha, que é tão boa,
Pediu ao pai, consentisse,
Que os presentes que ganhara,
Com seu irmão dividisse!
O Juquinha, envergonhado,
Prometeu se corrigir,
E daquele dia em diante,
Aprendeu como pedir!
(Rio, 1948)
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